Como manter a segurança e governança de dados, atendendo conformidades regulatórias

A transformação digital redefiniu a maneira como as organizações armazenam, processam e compartilham informações. Dados corporativos que antes permaneciam concentrados em um único data center agora estão distribuídos entre ambientes locais, múltiplas nuvens públicas, aplicações SaaS, containers, bancos de dados e diferentes plataformas de processamento. Essa descentralização trouxe ganhos significativos de escalabilidade e flexibilidade, mas também aumentou consideravelmente a complexidade da proteção das informações.

Nesse novo cenário, a segurança deixou de ser apenas uma questão de impedir invasões. O verdadeiro desafio consiste em manter o controle sobre os dados independentemente de onde eles estejam armazenados, quem os esteja utilizando ou qual infraestrutura esteja hospedando essas informações. É nesse contexto que a Thales CipherTrust Data Security Platform se destaca como uma plataforma unificada para governança, proteção e gerenciamento do ciclo de vida dos dados confidenciais.

A plataforma centraliza funcionalidades de descoberta, classificação, criptografia, gerenciamento de chaves e controle de acesso em uma única console administrativa, permitindo que a proteção acompanhe os dados durante todo o seu ciclo de vida.

O dado passa a ser o verdadeiro perímetro de segurança.

Durante muitos anos, as estratégias de segurança concentraram seus esforços na proteção da infraestrutura. Firewalls, redes privadas, segmentação, antivírus e controle de identidade formavam as principais linhas de defesa contra ataques externos. Embora essas tecnologias continuem sendo essenciais, elas já não são suficientes para garantir a confidencialidade das informações em um ambiente distribuído.

Hoje, os dados circulam entre diferentes provedores de nuvem, aplicações terceirizadas, plataformas de inteligência artificial, ambientes de desenvolvimento e parceiros de negócio. Como consequência, a estratégia de segurança precisa acompanhar essa nova realidade. Em vez de proteger somente o ambiente onde os dados estão armazenados, torna-se necessário proteger o próprio dado, independentemente da infraestrutura utilizada.

Essa mudança de paradigma faz com que soluções de Data Security ganhem um papel estratégico dentro das organizações.

O primeiro passo é descobrir o que precisa ser protegido.

Um dos maiores desafios enfrentados pelas equipes de segurança é a falta de visibilidade sobre onde estão armazenadas as informações sensíveis da organização. Muitas empresas possuem centenas ou milhares de bancos de dados, servidores de arquivos, aplicações e ambientes em nuvem que cresceram ao longo dos anos sem um inventário centralizado.

Para solucionar esse problema, a plataforma utiliza o módulo CipherTrust Data Discovery and Classification, responsável por realizar uma varredura automatizada em toda a infraestrutura de tecnologia da informação. O objetivo é localizar dados confidenciais, classificá-los conforme sua criticidade e identificar exatamente onde essas informações estão armazenadas. Essa visibilidade representa um passo fundamental para qualquer estratégia de governança de dados, pois elimina pontos cegos e permite priorizar investimentos com base no risco real da organização.

O Cryptographic Bill of Materials torna a criptografia visível (preparação para um ambiente quantum safe).

À medida que cresce a preocupação com a transição para algoritmos resistentes à computação quântica, uma dificuldade tem se tornado comum entre grandes organizações: poucas conseguem responder com precisão quais algoritmos criptográficos utilizam atualmente ou onde eles estão implementados.

O módulo CipherTrust Data Discovery and Classification (DDC) é tradicionalmente utilizado para varrer repositórios de dados e classificar informações sensíveis (como cartões de crédito ou dados pessoais). Porém, ele colabora com a iniciativa de inventário criptográfico ao permitir a localização e identificação de chaves de autenticação/criptografia expostas, certificados digitais e arquivos de chaves órfãs espalhados por servidores locais e nuvens.

Importante ressaltar que a geração desse Cryptographic Bill of Materials (CBOM) está ligado a atualizações recentes nas APIs REST do Thales Luna HSM ou a plataformas parceiras. Não se trata, pelo menos até o momento, de um recurso nativo automatizado dentro do CipherTrust.

Entendendo o CBOM no Ecossistema Thales

  • Definição: Um CBOM é um inventário de ativos criptográficos (algoritmos, tamanhos de chaves, versões de bibliotecas e cadeias de certificados) usado para rastrear cifras fracas e planejar a migração pós-quântica.
  • Atualização do Thales Luna HSM: A Thales introduziu melhorias de API REST no software Luna HSM que permitem a coleta de metadados de chaves criptográficas para formar um CBOM.
  • Papel do CipherTrust: O CipherTrust Manager atua como a central de gerenciamento de chaves da empresa, fornecendo dados de uso e inventários que ferramentas de conformidade de terceiros consultam para mapear o CBOM geral da organização.

Criptografia transparente sem modificar aplicações.

Historicamente, projetos de criptografia costumavam envolver mudanças significativas nas aplicações corporativas, exigindo adaptações em bancos de dados, alterações de código e longos ciclos de homologação.

O módulo CipherTrust Transparent Encryption (CTE) elimina essa necessidade ao implementar a criptografia diretamente na camada do sistema operacional. Em vez de alterar as aplicações, a solução intercepta automaticamente as operações de leitura e gravação realizadas sobre arquivos e volumes de armazenamento.

Dessa forma, a criptografia acontece de maneira totalmente transparente para os sistemas existentes, preservando o funcionamento das aplicações enquanto garante que somente usuários e processos autorizados consigam acessar os dados em formato legível.

Essa abordagem reduz significativamente a complexidade de implantação e acelera projetos de proteção de dados, principalmente em ambientes legados ou de missão crítica.

Protegendo informações mesmo diante de ameaças internas.

Grande parte das organizações concentra seus esforços na prevenção de ataques externos. Entretanto, diversos incidentes relevantes de segurança envolvem credenciais privilegiadas comprometidas, administradores de infraestrutura ou terceiros que possuem acesso autorizado aos ambientes.

A proposta do CipherTrust é impedir que esse tipo de acesso resulte na exposição das informações. Caso um administrador copie arquivos, exporte bancos de dados ou tente remover informações diretamente da infraestrutura, o conteúdo permanecerá criptografado. Sem as chaves apropriadas e sem as permissões definidas pela política de segurança, esses dados tornam-se praticamente inutilizáveis para qualquer agente malicioso.

Essa capacidade fortalece significativamente a proteção contra ameaças internas e reduz o impacto potencial de credenciais comprometidas.

Controle total sobre as chaves criptográficas.

À medida que empresas expandem suas operações para ambientes multicloud, surge uma preocupação crescente relacionada à soberania das chaves criptográficas. Em muitos serviços de nuvem, as chaves responsáveis por proteger os dados são administradas pelo próprio provedor, reduzindo o nível de controle da organização sobre seus ativos mais sensíveis.

Para enfrentar esse desafio, a plataforma disponibiliza o CipherTrust Cloud Key Management (CCKM). Esse módulo permite que as chaves sejam geradas internamente pela própria organização, utilizando infraestrutura dedicada, como um Thales HSM Luna, e posteriormente distribuídas de forma segura aos diferentes ambientes em nuvem.

Esse modelo, conhecido como Bring Your Own Key (BYOK), garante que a instituição mantenha controle centralizado sobre todo o ciclo de vida das chaves criptográficas, incluindo sua criação, distribuição, rotação e eventual revogação, mesmo quando os dados permanecem armazenados em provedores externos. Essa abordagem atende aos requisitos de soberania de dados e responsabilidade sobre os ativos criptográficos previstos nas diretrizes regulatórias como as do Banco Central (Bacen), para as instituições financeiras, por exemplo.

Compartilhando dados sem expor informações sensíveis.

Nem todo ambiente corporativo necessita acessar dados em sua forma original. Plataformas de analytics, motores de inteligência artificial, ambientes de desenvolvimento e soluções antifraude frequentemente precisam processar informações sem necessariamente conhecer sua identidade real.

Para esses cenários, a CipherTrust incorpora recursos de tokenização e mascaramento de dados. Essas tecnologias substituem informações sensíveis, como números de documentos, cartões de pagamento e contas bancárias, por representações protegidas que preservam o formato necessário às aplicações, mas eliminam seu valor para qualquer pessoa não autorizada.

Essa abordagem reduz significativamente o risco de vazamentos durante o compartilhamento de dados e ainda contribui para diminuir o escopo de auditorias e requisitos regulatórios relacionados à proteção das informações.

Um caminho consistente para governança de dados na instituição.

Muitas organizações já iniciaram a evolução de suas estratégias de proteção de dados para atender às crescentes exigências de segurança e conformidade. No entanto, um dos maiores desafios não está apenas na adoção de novas tecnologias, mas na falta de visibilidade sobre onde estão os dados sensíveis, qual o ciclo de vida útil desses dados, uso e como as chaves criptográficas são gerenciadas ao longo de todo o seu ciclo de vida.

Ao integrar descoberta e classificação de dados, gerenciamento centralizado de chaves criptográficas e políticas unificadas de criptografia, a CipherTrust Data Security Platform estabelece uma base firme para a governança da informação. Essa abordagem simplifica a administração de ambientes híbridos e multicloud, reduz riscos operacionais e apoia o atendimento a requisitos regulatórios, como LGPD, PCI DSS e demais normas que exigem controle, rastreabilidade e proteção contínua dos dados, como Banco Central.

Uma plataforma unificada para proteção de dados.

A CipherTrust Data Security Platform da Thales reúne em uma única arquitetura capacidades que tradicionalmente eram distribuídas entre diferentes soluções.

Ao combinar descoberta automatizada de dados sensíveis, apoio no inventário criptográfico, criptografia transparente, gerenciamento centralizado de chaves, tokenização, mascaramento e políticas de acesso, a plataforma permite que organizações fortaleçam sua postura de segurança enquanto simplificam operações e ampliam sua capacidade de adaptação às novas exigências regulatórias e tecnológicas.

Mais do que proteger informações armazenadas, a First Tech, parceira Thales oficial no Brasil, que atende as maiores instituições financeiras e de pagamentos, oferece às empresas uma estratégia consistente para manter controle sobre seus dados em qualquer ambiente, preservando sua confidencialidade, integridade e governança mesmo diante dos desafios impostos pela transformação digital e pela transição para a criptografia pós-quântica.

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Sobre o Autor

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Hoje a First Tech atende grande parte dos maiores bancos e processadoras de pagamentos de cartões no Brasil. A empresa atua no core de segurança de dados com criptografia, especializada em pagamentos com cartões usando HSM. Atua ao lado da Thales, fornecedora do HSM - Modulo de segurança de hardware, exigido pelo PCI para integridade de transações. Desenvolveu o HoP, onde o processamento de transações de cartões é feito via nuvem (com HSM Thales na infraestrutura), que otimiza o escopo de conformidade para a operação dessas instituições com escalabilidade e pagamento por demanda. Além disso, a First Tech lida com segurança de dados, oferecendo soluções de descoberta e classificação de dados, gerenciamento de chaves criptográficas, tokenização e mascaramento de dados, criptografia transparente, proteção de links de redes e outras. Tudo isso colabora diretamente para uma gestão e governança de dados, atendendo a normas regulatórias e auditorias de segurança e proteção de dados.

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